quarta-feira, 15 de setembro de 2010

O que é a Verdade?

Hoje eu ouvi o meu filho mais velho me dizer que “eu não quero ouvir a verdade”. Engraçado como isso parece eco de uma frase que eu ouvi há muito pouco tempo atrás – parece que foi ontem!

Mas, que verdade?

A verdade que ele vive mais fora do seu próprio lar do que dentro dele?
Ou a verdade de que ele vive uma vida que não é a sua, na casa dos pais de sua namorada,  talvez, para fugir dos problemas que estão aqui que ele alega que não são seus problemas”? 
Ou a verdade que todos pensam, mas ninguém quer falar?

Eu fico me perguntando de que verdade é essa... das que falamos ou daquelas que omitimos?

Porque a verdade que eu vivo hoje, aliás, sempre vivi, não está escrita nos livros dos homens e sim na Palavra de Deus. E é através dela que eu tenho certeza de que esse não é o melhor caminho de se iniciar uma vida. Eu não gostaria de ver a minha adorada filha viver uma situação como essa: então, o que eu não quero para mim não desejo para a filha do meu irmão.

Mães, e acho que bons pais também, querem ver seus filhos casados, com a benção de Deus.

E eu não sou diferente, quero ver os meus filhos não só casados, mas abençoados e vivendo na graça de Deus.

Como eu gostaria de voltar atrás no tempo! Voltar atrás na minha vida para não permitir que meus filhos vivessem alijados da Palavra de Deus, para que pudessem ver a vida de forma diferente, com mais Fé, menos amor e crença nas coisas materiais, nas coisas mundanas, para que vivessem mais preocupados em Ser do que em Ter.

E por isso tenho pedido perdão a Deus, todos os dias: é “mea culpa” minha máxima culpa. Acho que jamais conseguirei me perdoar por isso. A minha sogra, minha amada e querida sogra, era extremamente religiosa e por suas mãos meus filhos foram levados aos sacramentos da comunhão e do batismo, mas, nós, na verdade, éramos católicos “de vez em quando” e na profissão de fé, nas estatísticas. A minha inesquecível mãezinha também era muito religiosa e nos acompanhava às missas regularmente quando pequenos – a mim e a meus irmãos, depois, a própria vida que levava com 10 filhos para criar foi afastando-a e, anos mais tarde, o Parkinson a impediria de ir à missa e participar dos serviços embora tivesse tempo disponível para isso. A minha família é toda católica, sempre fomos: lembro-me das minhas tias com todos os filhos na igreja e como eu achava bonito o padre na porta da igreja cumprimentando, um a um, cada fiel. Bons tempos aqueles!

Mas, na verdade, mesmo tendo sido criada em um ambiente cristão: lembro-me de participar do grupo “Sagrado Coração de Maria” na Igreja do nosso bairro e sairmos, com a Bíblia embaixo do braço, visitando as famílias, fazendo orações e evangelizando – com o tempo, também me afastei da casa do Pai. Lembro também do meu pai “na busca da verdade”, recebendo em nossa casa, evangélicos de todo tipo: Assembléia de Deus, Batistas, Adventistas para a leitura e reflexão da Palavra de Deus, mas, graças a Deus permanecemos todos católicos.

E essa é a “minha verdade”: criei meus filhos trabalhando que nem uma louca, varando a noite acordada, para lhes dar o que eu achava que era o melhor legado para eles: uma vida confortável. Procurávamos - eu e meu marido, lhes dar tudo que nós não tínhamos tido, como se isso fosse o maior tesouro do mundo.

Essa é a minha verdade. E das conseqüências dessa má ação só Deus pode nos livrar.

Eu não sei de que “verdade” meu filho está falando, mas talvez seja da verdade que há quatro anos eu venho tentando fugir: da ruptura dos meus sonhos, da traição do meu marido, do desespero que se infiltrou entre nós pelos problemas financeiros agravados pela sua infidelidade - afinal ter problemas quando os objetivos são comuns é uma coisa, mas ter problemas, quando não se é mais "um" é complicado; talvez esteja falando da descrença na vida e nas pessoas que se instalou dentro do meu coração ao me sentir traída pelas pessoas que eu “mais amava”, de achar que havia um “complô” contra mim, engendrado por aqueles que, teoricamente, deveriam me proteger; da fuga da realidade de uma vida na qual eu achava que havia amor, companheirismo, amizade, confiança, solidariedade; da verdade de que toda a minha vida foi vã e infrutífera.

Aí eu costumo ouvir alguém dizer: como sua vida foi vã? E os filhos que você tem?

Os filhos? Foi Deus que me deu, não o homem. Do homem eu esperava respeito e consideração, reconhecimento, amizade, amor, companheirismo, fidelidade, compromisso com o nosso sacramento.

Essa é a “minha verdade”: como eu posso ter vivido 37 anos da minha vida inutilmente? Esvaziada do que realmente deveria ter importância?

Essa é a minha verdade, agora.
E a minha verdade de agora me leva ao encontro do Cristo crucificado. Como eu já disse em um post anterior, eu sempre acreditei no poder supremo de Deus em minha vida, mesmo quando eu estava afastada da igreja; em todos os momentos de tribulação “senti” a sua presença me auxiliando e guiando. A diferença é que, agora, eu continuo no caminho e, acreditem se quiser, agradeço a Deus todas as desgraças que se abateram sobre a minha vida, pois assim me encontro diante do único amor incondicional: o amor do meu Pai celestial, o amor de Deus.

Agora eu entendo que quem caminha na luz de Deus será sempre socorrido, a ajuda vem por meios inesperados. Agora eu entendo que preciso descobrir qual a vontade de Deus para a minha vida e para descobri-la eu preciso estar atenta à Palavra, ouvi-la, me revestir de Jesus tomando para mim as intenções dEle, procurar agir como Ele agiria naquela determinada situação para poder fazer a coisa certa.

Não é fácil, e eu tomo muitas quedas. Mas tomei a decisão de não deixar que nada e nem ninguém interfira no meu amor pela verdade da Palavra de Deus. Procuro receber a efusão do Espírito Santo de Deus para ter força interior e ser capaz de enfrentar todas as tribulações, todas as agressões, todas as tristezas, todas as decepções, todo o desamor e falta de confiança que me cercam todos os dias da minha vida.

 Eu resolvi entregar a minha vida a Deus, eu não sei qual é o seu desejo, mas tenho procurado dialogar com Ele no silêncio do meu coração tão combalido pelas dores, pelo sofrimento e pela desesperança. Com ele tenho aprendido a banir da minha cabeça os maus pensamentos, pois tenho certeza de que se eu procurar viver bem a minha vida hoje, se eu for prudente e procurar fazer as coisas de forma honesta, se eu pagar com o bem o mal que eu recebo, se eu for ao encontro de alguém que me prejudicou e liberar o perdão, se eu me conformo no Senhor, eu creio que poderei me alegrar e exultar no meu futuro, meus dias serão abençoados e muito em breve estarei agradecendo a Deus por todas as tormentas pelas quais estou passando.

Decidi entregar os meus problemas a Deus, confiar nele e não em pessoas de posses, no meu próprio poder ou nos poderes de outras pessoas: o que tiver que ser, será, eu não poderei fazer nada para mudar.

Quem confia em Deus permanece firme no vai e vem das tribulações, pois somos inclinados a nos enganarmos e colocarmos nossa confiança em coisas passageiras. Hoje, peço a Deus que mantenha a minha Fé inquebrantável naquilo que eu não posso ver, que eu tenha a força da Fé no Poder de Deus sobre a minha vida, sobre as nossas vidas, pois nossa força e vitória vem dEle e somente dEle. E foi assim que Deus me preparou para receber o câncer do meu marido: com confiança de que tudo vai dar certo, ele vai se sair bem dessa, se Deus está conosco quem poderá ser contra nós?

Essa é a minha verdade: Cristo – Caminho, Verdade e Vida.

Por isso não acredito na verdade dos homens: tudo passa, tudo passará, mas a misericórdia de Deus não faltará.

O poder de tudo que sustenta o que nos cerca e interfere nos nossos caminhos está nas mãos do Pai, por isso peço a Deus que tudo que é ruim e triste não permaneça mais junto a mim, que seja repreendida em nome de Jesus toda discórdia, todas as maldades, toda a inquietude, todos os problemas financeiros, que seja repreendido e afastado de minha vida todos aqueles que nela se infiltraram para o mal e pelo mal, pelas mãos do encardido – eu proclamo que o mal não permanecerá na minha vida, ele por si só se desmantelará e será destruído. Peço a Deus que eu não esqueça nunca de agradecê-lo por todas as bênçãos de nossas vidas: nossos filhos, nossos pais, nossa família e todas as graças de Deus ao longo do tempo que vivi até aqui e por todas as graças que Ele ainda me fará alcançar, pois bem conhece os desejos do meu coração: que seja feita a vontade de Deus – qualquer que seja ela.

Glórias a Deus por tudo que acontece em nossas vidas, pois, tanto as coisas boas, quanto as coisas más, acontecem para o nosso crescimento como filhos do Pai.

Essa é a verdade com a qual eu tenho procurado inundar o meu coração. As outras ‘verdades’, o tempo de Deus vai apagar.

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