Limites são necessários para qualquer ser humano
Amar não é e nunca será tarefa fácil, exige de nós empenho e decisão. O amor sincero comporta o sofrimento e a doação em favor do outro. Pelo bem do outro, inúmeras vezes, enfrentamos dificuldades que nos causam dor e pesar.Existem situações nas quais temos de desagradar a quem amamos em virtude de seu próprio bem. Tais decisões são difíceis e doem mais em nós do que naqueles que são objetos de nossa repreensão. Porém, é importante salientar que corresponder sempre e irrefletidamente aos desejos de quem se ama pode se tornar algo negativo, que tende a deformar e não formar. Dentro dessa perspectiva, afirmo que: “Dizer ‘não’ também é uma forma de amar”.
Limites são necessários para qualquer ser humano, pois, por meio deles, alcançamos equilíbrio e maturidade. Pais que não impõem limites aos filhos acabam criando pequenos reis e rainhas e, conseqüentemente, tornando-se seus súditos.
Somente quem já recebeu um “não” na vida consegue compreender a especificidade da palavra humildade. Somente aqueles que não foram correspondidos no que queriam, em algum momento de sua história, sabem compreender que sua vontade não é absoluta e que nem sempre estão certos.
É no “não” e no “sim”, no equilíbrio das possibilidades, que se forma uma pessoa, é assim que o orgulho se ausenta e o ser humano consegue entender que os outros também são bons.
Nem tudo o que queremos é o melhor para nós, porém, nem sempre conseguimos enxergar assim. É aí que descobrimos quem nos ama, pois os que sinceramente se interessam por nós não têm medo de nos dizer a verdade e de nos corrigir quando necessário.
Não é fácil corrigir e dizer 'não'; seria mais fácil e conveniente dizer sempre 'sim' e estar sempre sorrindo, pois quem diz 'não' se expõe e, muitas vezes, atrai sobre si a ira do outro. Quem corrige, mesmo querendo o bem do outro, corre o risco de ser mal interpretado, contudo, demonstra um grande amor e cuidado com o outro.
Só quem nos ama nos diz 'não'. Só quem se interessa por nós tem a sensibilidade de cuidar de nós, através da poda.
Precisamos ter sensibilidade para detectar e aceitar o amor que se manifesta em uma multiplicidade de formas e que nos encontra também naquilo que tanto nos desagrada.
Se enxergarmos assim, sentiremo-nos mais amados e cuidados, evitaremos muitas contrariedades, além de descobrirmos belezas antes não contempladas. Faça essa experiência.
Adriano Zandoná Seminarista e Missionário da Comunidade Canção Nova. Reside na Missão de Cachoeira Paulista. É formado em Filosofia e em Teologia, e está preparando-se para a Ordenação Diaconal. Atualmente trabalha na Rádio Canção Nova, onde apresenta o programa “Viver Bem”. Acesse: blog.cancaonova.com/adrianozandona e acompanhe outros artigos do autor.
26/10/2010 - 08h00
Gosto muito das reflexões desse seminarista. Que Deus o abençõe, Adriano, e o mantenha firme em sua decisão de serví-lo por toda a sua vida.
Assim, criamos nossos filhos, impondo-lhes os limites próprios da sua idade.
Não me importo se dizem que eu sou uma pessoa "radical". Não concordo com as brincadeirinhas que as pessoas fazem com as criancinhas arrumando-lhes "namoradinhas" na mais tenra idade e depois se queixando que "as crianças hoje não tem mais infância"; mas como "ser criança", se o adulto começa a despertar-lhes ,desde cedo, a atenção para coisas impróprias ao tempo que estão vivendo?
É responsabilidade do adulto gerar na criança o respeito e o temor a Deus, o respeito às tradições familiares, culturais, religiosas; ensinar-lhes a honrar pai e mãe; ensinar-lhes o valor da humildade, da solidariedade, da bondade, da benevolência, da caridade, do amor aos irmãos; ensinar-lhes a ouvir, principalmente os mais velho, aprender com a sua sabedoria e vivência, e respeitá-los; incutir em seus espíritos o amor pela verdade e justiça; inspirar-lhes a ser pessoas do bem com o exemplo de suas próprias vidas, pois "aquele que é sábio está sempre alerta e de sobreaviso em tudo e se afasta da maldade e das iniquidades da vida mundana".
Estou com o Padre Fabio de Melo: seja pois radical nas coisas de Deus, nas suas palavras de sabedoria e salvação!
Sejamos previdentes: ensinemos às crianças e não será necessário punir os adultos, já diz a palavra de Deus:
"antes da enfermidade, aplica o remédio; antes do julgamento, examina a ti mesmo. Antes da enfermidade, humilha-te e, no tempo do pecado, mostra a tua conversão" (Eclo 18,20-21)
"quem ensina ao filho, colherá fruto nele e se orgulhará no meio dos seus familiares" (Eclo 30,2)
"quem mima o filho deverá tratar-lhe as feridas" (Eclo 30,7)
"não lhes dê poder na juventude, dobra-lhes o pescoço enquanto é jovem e bate-lhes nas nádegas enquanto criança, para que não venha a obstinar-se e a não atender-te" (Eclo 30,11-12)
"ensina o teu filho e ocupa-te com ele, para que não venhas a sofrer com a sua depravação" (Eclo 30,13)
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malu@forever - vulgo gatarussa
Mãe, orgulhosa, de três filhos muito bem educados e encaminhados na vida, graças a Deus e à orientação de nossos pais, meus e os do meu marido, católicos apostólicos romanos.
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