terça-feira, 28 de setembro de 2010

Aborto - Alguns depoimentos e considerações 3/5





Morrer é natural, matar não             
A questão do aborto do anencéfalo está tomando proporções despropositadas. Vê-se que há muitos interesses envolvidos, estimulados pelos que defendem a inauguração do processo de seleção eugênica. Entre os argumentos a favor, destaca-se o sofrimento da gestante, mãe de um bebê anencéfalo. Disse bem o ministro Peluso ao ressaltar que remorso também é fonte de grande sofrimento, o que nos faz pensar que é muito mais sensato deixar a vida seguir o seu curso, ainda que os recursos tecnológicos antecipem a má notícia de que o neném terá vida breve. Morrer é natural; matar não.            
                  
Sueli Caramello Uliano           

Professora Universitária/escritora    





Omissão              
Visitei hoje o site pela primeira vez e o achei muito interessante. Mas lendo sobre gravidez e anencefalia, algo comum a quase todos os casos me assustou muito: o tratamento da gestante como "número". Quase nenhuma autoridade consultada, médicos inclusos, se preocupou em tratar cada caso como sendo único, o que é a mais pura realidade.                
A mãe que queria a convivência com seu filho, mesmo que na barriga e por poucas horas após seu nascimento; a outra mãe que já tinha uma filha que precisava de cuidados intensivos e corria risco de vida (não foram  consultados os prontuários do hospital onde ela esteve internada em coma na primeira gestação?), e como não acredito que sejam exceções, muitas outras.              
Assustou-me profundamente constatar como não se percebe que cada caso é um caso, a ser discutido rapidamente e com profundidade, para que ninguém seja prejudicado. O que eu vi (li) foi o sofrimento de poucos (a mãe e os próximos ela) e a fuga da maioria dos envolvidos, agindo como que amparando-se nas leis e na religião eles estivem automaticamente autorizados a lavarem as mãos do caso. Eticamente eles estão numa situação muito pior do que se "pecassem" ou "burlassem a lei". Aliás, para mim, a omissão da maioria, disfarçada em discussão séria (e distante) é o verdadeiro pecado e/ou transgressão de qualquer lei feita ou a fazer.                
                  
Maria Thereza Cera Galvão do Amaral                 

veterinária homeopata e historiadora da ciência   


Amar verdadeiramente seus filhos             
A sociedade não pode descaracterizar-seO ser humano nasceu para amar. Mas amar verdadeiramente. E não para fazer do outro instrumento de seu prazer, da sua conveniência. E filho, anencéfalo ou não, é para ser amado, acarinhado, até quando existir vida. O fato de haver uma maior limitação na vida do filho doente, débil, não o torna indigno, nem dá aos pais o direito de matá-lo, antecipando sua morte. Ademais, médicos do mundo inteiro atestam que não há risco de vida para a mãe e sim intercorrências normais a qualquer gravidez (de anencéfalo ou não), facilmente tratáveis.
Precisam os pais tornarem-se assassinos de seus próprios filhos? Devemos evoluir em tudo, inclusive na capacidade de amar e nos doar, ao invés de instrumentalizar o outro.                 
                  
Maria das Dores Dolly Guimarães              
Advogada     



 É isso aí.
Ao autorizarmos através de uma lei estaremos banalizando a vida!
Tornando tudo relativo…
Ainda que eu não concorde com o aborto em  nenhuma circunstância…
Vejam só, recentemente descobri que meu marido teve um filho fora do casamento e Deus que me perdoe, eu realmente desejei que ela não tivesse nascido… Mas como católica,  cristã, que reconhece o senhorio de Deus na minha vida, me arrependi, pedi perdão a Deus e vivo todos os dias me penitenciando por isso.
Quer dizer, então, que dentro dessa lógica de "evitar o sofrimentos, os conflitos, as necessidades materiais e/ou afetivas, as provações…" teríamos o “direito” de requerer o aborto legalmente já que essa criança “não foi desejada” e "não fazia parte dos nossos planos”?
É diferente quando lidamos com uma criança com anomalia? 
No caso da doença, a familia vai sofrer, a criança "talvez" (pois só Deus decide sobre isso) não tenha expectativa de vida... e a expectativa de vida de crianças que nascem assim... dos erros, das irresponsabilidades dos adultos?  Por acaso não vão sofrer, sua "expectativa de vida" é melhor? Isso não depende de muitos fatores alheios ao conhecimento da maioria das pessoas?

Que tipo de vida vai ter essa criança, nascida de uma relação extraconjugal? Aonde os sentimentos de ressentimento, de tristeza, de rejeição o levarão? Que dificuldades de relacionamento ela terá, aonde tudo isso a levará, ao desespero, à revolta e por fim ao caos? Não estaria também está criança “desprovido de expectativa de vida”? Ela não vai viver em uma família completa, ela vai ter dificuldades de conviver com os próprios irmãos (os que vivem longe), vai ter dificuldade de entender sua própria vida, vai receber princípios morais negativos já a partir de sua própria concepção; essa criança também não terá direito a uma vida dignaEntão temos que matar todas essas crianças?

Então vamos "prever" o futuro dessas crianças, de todas as crianças indesejadas que nascem e vamos eliminá-las antes do nascimento?

Então isso motiva a “eliminação”, caso a criança “não tenha condições de sobreviver”,  para evitar o seu sofrimento no futuro, a sua dissociação, para evitar os caminhos aonde tudo isso que lhe impuseram poderá levar?

É complicado…
Não se pode relativizar todas as coisas. Muitas vezes as pessoas cometem muitos crimes exatamente por tornarem tudo relativo. Isso é banalizar a própria vida.
(minhas ponderações/maluforever)      

                  
by
maluforever - vulgo gatarussa

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