Viajar a trabalho causa nas mães uma angústia indescritível, uma dor que não temos como nominar; não temos como descrever, só sentir.
Eu viajei muito a trabalho. Na minha angústia interior, era como um abandono, a sensação de que ao voltar poderia ter peRdido o elo com os meus filhos, que eles se acostumariam com a minha ausência e não se importariam mais se eu estava presente ou ausente.
Convivi muito tempo com essa sensação de que tudo estava errado, mas ao mesmo tempo me enganando que o que eu estava fazendo tinha o objetivo de propiciar-lhes o melhor, as oportunidades que eu não tinha tido e que mesmo com o sacrifício da distância, valeria a pena se em contrapartida pudesse lhes dar o melhor.
Muitos anos depois, li uma reportagem em uma revista de bordo em que o autor afirmava: “mulheres que viajam a trabalho mostram aos filhos que a vida requer coragem”. De alguma forma, essa frase me consolou, veio de encontro aos meus anseios de pacificar o meu coração daquela angústia que me acompanhava quando eu estava ausente. Aquela frase, partindo de um filho adulto, cuja mãe era aeromoça e, portanto, viajava muito mais do que eu, vinha me redimir. E acho que durante muito tempo mantive essa sensação no meu inconsciente.
Hoje, mais velha, empenhada em trilhar uma caminhada em busca das coisas do alto, percebo o quanto aqueles afastamentos foram sim prejudiciais aos meus filhos, não que eu ache que teria feito as coisas de outro jeito, mas acho que se eu trilhasse esse caminho antes eu “veria as coisas de forma diferente”. A gente precisa, sim, de colo de mãe, quando nasce, quando cresce e, pincipalmente, quando a gente fica mais velho.
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malu@forever vulgo gatarussa
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